Entrevista: Dr. José Martins Filho fala sobre o desafio de educar os filhos
Tatiana Cruvinel- Quais são os maiores desafios na criação de filhos atualmente?
José Martins Filho- Vou te falar uma coisa muito séria e muito objetiva. O grande problema hoje é que a gente tem uma licença-maternidade muito pequena. As mães querem ficar com seus filhos, mas não podem porque precisam trabalhar. E às vezes até se sentem culpadas por causa disso, o que é um crime. Porque a culpa não é das mães. A culpa é de uma estrutura que obriga a mulher às vezes a ficar dividida entre a sua profissão e o seu filho. Esse é um desafio, que nós estamos lutando muito ao nível do Senado, ao nível da Câmara dos Deputados, com os políticos, para ver se eles param um pouquinho para pensar na infância e na criança, que é o futuro da humanidade, é o futuro do nosso País. Esse é um grande desafio. O segundo desafio também é a formação médica e do pessoal de Saúde pra entender a importância de ajudar as mães a amamentar e ajudar as mães a não terem culpa quando não conseguem, porque a culpa não é delas. É de uma sociedade, de uma estrutura muito complicada. E a outra coisa que sempre digo para as pessoas é que a qualidade, o afeto, o amor e o carinho, a atenção, o beijo, são fundamentais no desenvolvimento cerebral.
Como ajudar as mulheres a não se sentirem culpadas na maternidade?
A gente precisa ajudar as mulheres, e não culpá-las. Não adianta você criticar a mãe se ela precisa trabalhar. É evidente. Alguns grupos de mulheres às vezes não despertam para essa situação, às vezes realmente não percebem a importância do contato. Mas a imensa maioria das mulheres não pode às vezes ficar com o filho porque precisa trabalhar. Precisa pagar as contas, ajudar a família, né? E aí nós temos que achar uma saída que é a ampliação da licença-maternidade. Minha luta é pra levar a licença-maternidade pra um ano e a paternidade para um mês.
Como melhorar a qualidade do tempo em que está com o filho, principalmente para a mãe que está no mercado de trabalho?
Fazer o possível pra ficar juntos, fazer o possível para as refeições serem juntos, beijar os filhos, dar certeza, quando eles estão doentes arrumar um atestado e levar os filhos ao médico. Não terceirizar, um livro meu "A Criança Terceirizada". Quando você bota o seu filho pra ser cuidado por outra pessoa você está abrindo mão da relação pessoal. Então é lutar muito por isso.
Como impor limites de maneira afetuosa?
Eu acho que você tem que ser firme, e não rígido. Você tem que ser afetuoso sem gritar, sem berrar, sem brigar, sem bater, sem fazer agressão. Mas você tem que ser coerente e sobretudo é muito importante que pai e mãe tenham ideias parecidas. Quando um pai é muito largado e a mãe é muito exigente, ou vice-versa, essa criança sofre. Porque ela nunca sabe como é que lida. As crianças têm que ser atendidas por alguém com coerência e com uma visão.














