Acieg propõe mercado comum do Brasil Central
Proposta apresentada pelo presidente Rubens Fileti, da Acieg, entidade realizadora da Feira Internacional de Comércio Exterior do Brasil Central, recebeu apoio do governador Ronaldo Caiado e prevê mais atribuições, autonomia e integração entre os estados do Consórcio Brasil Central para criação de políticas econômicas e maior convergência empresarial para os próximos cinco anos.
Os sete estados que compõem o Consórcio Brasil Central deram um importante passo para a consolidação do bloco enquanto potência econômica do País, a partir da realização do Fórum dos Governadores dos Estados integrantes (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rondônia, Tocantins e Distrito Federal), durante a abertura da Feira Internacional de Comércio Exterior do Brasil Central (Ficomex), realizada nesta quinta-feira (28/08), no Centro de Convenções de Goiânia. Com a proposta do presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, que de imediato recebeu apoio do governador Ronaldo Caiado, os governadores deverão deliberar sobre a possibilidade da criação de um mercado comum do Brasil Central, idealizado a partir da formação de um bloco econômico público-privado, com a participação do fórum empresarial dos estados membros, para o desenvolvimento regional e do País.
“Precisamos de um bloco econômico do Brasil Central com urgência. Nossas economias dobram a cada dez anos, mas nosso modelo de condução é ainda individualista e desconectado. O Consórcio é uma grande vitória, uma raiz dessa organização institucional em prol do mercado comum do Brasil Central, que poderia atuar na coordenação de políticas públicas integradas dos Estados membros e com autonomia dos mandatos – com o foco no desenvolvimento regional”, considera Fileti.
Ele sugeriu que a partir da Ficomex seja redigida a Carta de Goiânia, um memorando de entendimento assinado pelos sete Estados, para que em seis meses um grupo de estudos, com agentes privados e públicos, debatam a evolução do Consórcio. “Trata-se da criação deste bloco econômico, com mais atribuições, autonomia e plano de trabalho de integração e criação de políticas econômicas e maior convergência empresarial para os próximos cinco anos. É um marco que a Ficomex quer propor e um legado que só homens públicos diferenciados como os governadores que estão hoje na condução deste consórcio poderão deixar.”
O governador Ronaldo Caiado, que preside atualmente o Consórcio do Brasil Central, recebeu a sugestão e ampliou o debate ao sugerir a criação não só do bloco, como de uma Bolsa de Valores de Commodities do Consórcio Brasil Central para definir critérios de preços e de comercialização, semelhantes a bolsas internacionais, uma vez que estes estados representam a maior parte da produção brasileira de itens agrícolas, pecuários e minerais. “Historicamente, fomos precedidos por pessoas de visão, como os portugueses que expandiram o território a partir do Tratado de Tordesilhas e JK, que enfrentou os políticos da época para trazer o desenvolvimento para o interior do Brasil, com a visão de que o futuro passa pelo crescimento de outras partes do país, como os estados do nosso Consórcio. A partir da união de potencialidades e capacidade de interagir melhor, temos como atuar de forma conjunta para que nosso Consórcio atue como alternativa para o desenvolvimento do País”, ressaltou.
Na oportunidade, o governador Ronaldo Caiado assinou um protocolo de intenções entre o Governo de Goiás, por meio da Secretaria-Geral de Governo (SGG), com o Porto de Açu e a Prumo Logística para a troca de informações e a realização de pesquisas para a eficiência do setor de cargas e logística do Estado.
Aproveitando o momento, os governadores dos estados que compõem o bloco destacaram as potencialidades de cada unidade federativa e falaram sobre desafios e oportunidades do bloco, durante a abertura, apresentando pontos fortes que podem ser melhor aproveitados para o desenvolvimento integrado do Consórcio.
Distrito Federal: A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ressaltou a importância de Brasília como centro poderoso de gestão para o desenvolvimento do Centro-Oeste e do País, como um todo. “Usamos, ainda, pouco da capacidade que temos perante as oportunidades existentes. Há grupos de negócios importantes de diferentes setores que podem abrir mercados a serem explorados pelos nossos Estados”, afirmou.
Rondônia: O governador de Rondônia, Marcos Rocha, fez uma apresentação do Estado, enfatizando aspectos econômicos e sociais, incluindo a grande quantidade de abertura de negócios, que impulsionam a economia e o desenvolvimento da região. “Temos destaque nas produções de tambaqui, investindo em manejo e rastreabilidade, bem como do café, que é destaque na nossa pauta de produção. E conseguimos desenvolver o aspecto econômico, pensando em sustentabilidade e na logística, com a abertura de vias de escoamento pelo Chile e Peru”, disse.
Mato Grosso do Sul: O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, ressaltou o posicionamento estratégico do bloco e a aptidão do Estado na atração de indústrias fortes, a exemplo da cadeia da celulose. “Temos muito a avançar na parte logística, mas já temos em construção cinco novas rotas de escoamento, por parte do Governo Federal, das quais três passam pelos estados que compõem o Consórcio Brasil Central, além do potencial de hidrovias, como a do Rio Paraguai, que deve ser melhor aproveitado”, pontuou.
Mato Grosso: O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, lembrou que o mundo tem grandes desafios pela frente ligados à segurança alimentar, à transição energética e à segurança climática, e que o Brasil hoje consegue ser potência nos três temas. “Esses desafios precisam ser encarados de maneira diferente e o Consórcio Brasil Central tem grandes perspectivas, uma vez que podemos aumentar nossa produção, por exemplo, ao mesmo tempo em que geramos emprego e renda”, reforçou.
Maranhão: O governador do Maranhão, Carlos Brandão, fez um contraponto ao destacar que além das commodities o bloco precisa cada vez mais agregar valor à produção. “No nosso estado estamos trazendo novas plantas industriais para produzir etanol de milho, por exemplo. Lembrando ainda que o Maranhão tem um importante porto que é o Porto de Itaqui, que faz ligação com ferrovias e tem saída para as principais rotas marítimas mundiais, um grande potencial a ser aproveitado”, assegurou.
Tocantins: O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, lembrou ainda da pauta de desenvolvimento econômico aliado à sustentabilidade, uma vez que o Estado integra além do Consórcio Brasil Central, o Consórcio da Amazônia. “Vivenciamos recentemente uma crise relacionada às queimadas que mostra que precisamos atuar de forma conjunta para crises ligadas à sustentabilidade. Somos o estado mais jovem do país, que tem melhorado seus indicadores, e podemos contribuir com todo o bloco”, afirmou.
Goiás: O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, finalizou a fala dos governadores destacando ainda os avanços do Estado em diversas áreas como a segurança pública, a oferta de serviços digitais, os índices de educação e a regionalização da saúde. “Queremos ampliar essas conquistas para todo o bloco, como uma política pública que considere a qualidade de vida das pessoas”, finalizou.















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