Goianos criam jogo baseado nas obras de Poteiro

24/04/2025 | 0 comentários
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O compositor e produtor musical Arlam Júnior, da Brasbravel Studio, imaginou e chamou a amiga Michelle Santos, embaixadora local do “Women in Games”, da Ritus Studio, para tirar a ideia do papel. Junto com Adriano Regino, programador, e outros parceiros, eles lançam o jogo digital “Pomar de Cores” neste sábado, a partir das 17 horas, no Instituto Antônio Poteiro, localizado em Aparecida de Goiânia. O evento marca também uma homenagem ao centenário de nascimento do artista, que se completa em outubro deste ano.  

 

Arlam conta que teve a ideia em 2023. “Um dos nossos objetivos é estreitar a relação da comunidade dos gamers com a cultura goiana”, diz. A valorização da arte local, aliás, converge com o pensamento do próprio Poteiro. Em documentário veiculado pela TV da Câmara dos Deputados, o mais goiano dos lusos-brasileiros foi direto ao ponto: “Acho que o brasileiro não precisa copiar nada do estrangeiro; o nosso Brasil é um continente”, afirmou na oportunidade, em 2000. E com inúmeras possibilidades advindas também do Cerrado:


“Pomar de Cores coloca o jogador numa experiência interativa que ecoa as formas, os traços e os encantos da fauna e da flora que habitam o imaginário sertanejo goiano. O produto é inspirado na obra de Antônio Poteiro que pulsa com o misticismo, a alegria e a resistência do povo goiano, em uma linguagem visual que escapa às convenções da arte clássica e moderna para criar algo verdadeiramente nosso”, detalha Arlam.


Segundo ele, o gameplay tem duração de dez minutos. “O jogador precisará cuidar do crescimento de um pomar com frutas tipicamente presentes na região do Cerrado e na cultura sertaneja, tais como jabuticaba, manga, pequi, buriti, baru, etc. Para isto, contará com a ajuda de animais do céu, da terra e da água que trarão vida e sementes para a locação”, explica, ao informar que o jogo é indicado para crianças a partir de 6 anos de idade. 


Durante todo o processo de criação do “Pomar de Cores”, Arlam, Michelle e Adriano mantiveram contato com a família de Poteiro, que abraçou e chancelou a iniciativa - Américo Poteiro, filho de Antônio, é o consultor pedagógico e artístico do projeto. 


“Nosso intuito foi proporcionar uma experiência para o usuário com os elementos da natureza, com as cores, com as artes visuais, e também com a música”, destaca Arlam, ao acrescentar que a trilha sonora do game foi gravada por integrantes da Orquestra Filarmônica de Goiás.


O jogo, que terá distribuição gratuita e poderá ser baixado em computadores com sistema Windows, contou com recursos federais da Lei Paulo Gustavo de 2023 para ser desenvolvido. 

 

Antônio Batista de Souza nasceu em Portugal e veio para o Brasil com um ano de idade. Com a família, morou em São Paulo e Minas Gerais. Em 1955, mudou-se para Goiás, residindo em Nerópolis, onde ganhou o apelido de Poteiro. Em 1967, fixou residência em Goiânia e, aos 42 anos de idade, passou a criar peças autorais e a assinar sua obra em cerâmica como Antônio Poteiro, por sugestão da folclorista Regina Lacerda. A partir de 1972, passou a pintar e seu imaginário transitou da materialidade do barro para o universo vibrante da cor.

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