Acordo Mercosul-União Europeia amplia oportunidades para negócios goianos
A assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia reposiciona o Brasil em um ambiente de comércio internacional mais integrado, previsível e exigente. Embora a entrada em vigor ainda dependa de ratificações e de um processo gradual de implementação, o sinal já está dado: haverá mais oportunidades, mas também mais critérios para quem quiser acessar mercados externos. Em Goiás, o Sebrae atua para garantir que micro e pequenas empresas estejam preparadas para esse novo cenário, por meio de ações estruturadas de qualificação, como o Programa MOVE+, voltado a preparar o pequeno negócio.
O Acordo Mercosul–União Europeia estabelece um compromisso de integração, cooperação e parceria entre os blocos. O objetivo central é facilitar o comércio, com redução ou eliminação gradual de tarifas, regras mais claras e menos burocracia. No médio e longo prazo, as projeções apontam impactos positivos na economia brasileira, como crescimento do PIB, fortalecimento da balança comercial e aumento do volume de investimentos.
Esse cenário, no entanto, não se constrói de forma automática - especialmente para as micro e pequenas empresas. Para Leonardo Araújo, gestor estadual de internacionalização do Sebrae, a antecipação é decisiva. “É fundamental que as empresas se preparem, se capacitem e acompanhem a evolução desse tema. O Sebrae Goiás atua exatamente para que as MPEs estejam prontas quando o acordo entrar em vigor”, afirma. Segundo ele, esse movimento prévio já representa um diferencial competitivo.
Um dos pontos mais relevantes do acordo é o reconhecimento das micro, pequenas e médias empresas. O texto dedica um capítulo exclusivo a esse público, prevendo mecanismos de apoio, transparência e acesso à informação. Entre eles está a criação e manutenção de plataformas públicas com dados sobre regras, tarifas, exigências, registros e oportunidades de mercado.
“Estamos falando de um banco de informações pensado para facilitar o acesso das MPEs aos mercados, aos investimentos e até à participação em compras públicas na União Europeia. É uma abertura construída pelo acordo, que reduz assimetrias e dá mais clareza ao empresário”, explica Leonardo.
Para Goiás, o impacto vai além do agronegócio, tradicional motor das exportações estaduais. O novo ambiente amplia o leque de oportunidades para setores ligados ao valor agregado, à identidade regional e à inovação.
A União Europeia demanda produtos diversificados e com diferenciação clara. Nesse contexto, micro e pequenas empresas goianas podem encontrar espaço em segmentos como alimentos e bebidas regionais, a exemplo de mel, doces artesanais e cachaça, além de vestuário, moda e design, cosméticos e produtos naturais, móveis e itens de madeira manejada, tecnologia e serviços especializados.
Há também oportunidades indiretas. “Mesmo setores que não exportam diretamente podem participar por meio da cadeia produtiva, como metalmecânica, sustentabilidade e transição energética”, pontua o gestor.
Outro efeito relevante é a facilitação da importação de bens. “Isso reduz custos, amplia o acesso à tecnologia e aumenta a competitividade das MPEs tanto no mercado nacional quanto no internacional”, completa.
Diante de um cenário mais exigente, o papel do Sebrae é atuar como tradutor técnico e agente de preparação. A instituição não participa das negociações do acordo nem define regras comerciais. Sua missão é ajudar o pequeno empresário a entender o ambiente internacional, avaliar riscos e se estruturar com responsabilidade.
É nesse ponto que entra o Programa MOVE+, iniciativa do Sebrae Goiás voltada à preparação do pequeno negócio para competir no novo ambiente internacional. O programa oferece capacitação, diagnóstico e orientação prática, ajudando a empresa a compreender seu nível de prontidão, conhecer normas e exigências, acessar conteúdo sobre mercados internacionais e se preparar para oportunidades como missões empresariais, rodadas de negócios e processos de prospecção.
A lógica é que antes de vender para fora, é preciso fortalecer gestão, processos e estratégia. O acordo amplia horizontes, mas atravessar essas fronteiras exige preparo. E é justamente nesse caminho que o Sebrae Goiás se posiciona, não prometendo resultados imediatos, mas construindo bases sólidas para que as micro e pequenas empresas possam competir de forma sustentável em um mercado cada vez mais global.















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