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Projeto “E se eu fosse o autor?” incentiva a leitura em Senador Canedo0 comentário

Tecnologia

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Publicado em 09/10/2014 11:49


O projeto "E se eu fosse o autor?", realizado em Senador Canedo este ano pela ONG Casa da Árvore, em cooperação com a Prefeitura Municipal e o patrocínio do Programa Integração Petrobras Comunidades, já acumula experiências que estão transformado a realidade da rede municipal de ensino. As metas de envolver 10 escolas municipais e cerca de 500 alunos e professores em atividades de incentivo à leitura até o final de 2015 já foram superadas antes do aniversário de um ano do projeto. Ao todo já são quase 700 participantes diretos, em quase 20 escolas atendidas.

Mas os maiores resultados vão além da ampliação desta capacidade de atendimento. No começo do segundo semestre deste ano, a equipe de gestão da ONG Casa da Árvore realinhou a estratégia de implementação do projeto, a partir de demandas e desafios da Secretaria Municipal de Educação, identificados no desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico do município. “Priorizamos o processo de formação continuada de professores, aproveitando as experiências de práticas pedagógicas desenvolvidas em parceria com alunos, através do Laboratório Criativo de Literatura e Tecnologia (Lab Criativo), para estimular os professores a realizarem experimentações didáticas a partir do currículo”, revela o coordenador geral do projeto, Aluísio Cavalcante.

Atualmente as indicações metodológicas e estratégias de realização de ações inovadoras desenvolvidas no projeto já fazem parte do projeto político pedagógico (PPP) de 16 escolas deste município. Em cada uma destas unidades de ensino, um conteúdo previsto no currículo de língua portuguesa, literatura ou redação, além de projetos interdisciplinares previstos nos seus respectivos PPP´s, está sendo desenvolvido aproveitando de maneira criativa a vivência de professores e alunos com a cultura digital. “Fizemos a opção inicial de experimentar essa nova forma de incentivar a leitura entre turmas do 6° ano, porém as necessidades e desafios peculiares de cada comunidade escolar levou a equipes pedagógicas escolares ampliarem esse acesso e hoje temos turmas de 5° ao 9° envolvidas em atividades do projeto”, destacou a diretora pedagógica da Secretaria de Educação, Elenice de Lurdes. A diretora ressalta ainda que até o final de 2015 todas as escolas da rede estarão envolvidas no projeto e pelo menos um professor de cada uma delas terá sido capacitado para utilização da metodologia do projeto.

“Cada sequência didática que está sendo desenvolvida pelos professores com o nosso apoio explora um recorte da cultura digital, a exemplo da escrita colaborativa com uso de aplicativos do celular, a criação de mapas colaborativos, a produção de vídeos e histórias gráficas, além do uso do Facebook e do Whatsapp como ambiente de estímulo à leitura”, afirma a coordenadora pedagógica do projeto, Denise Bueno.

Reconhecimento nacional - A Associação Telecentro de Informação e Negócios – ATN e uma Comissão Julgadora composta por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério das Comunicações, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, SEBRAE Nacional, Grupo TICKET e a AME, concederam ao projeto “E se eu fosse o autor?” o Prêmio Telecentros Brasil 2014. A iniciativa foi vencedora na categoria Inovação em Sustentabilidade Social. O resultado foi divulgado no último dia 24 de setembro. A premiação será realizada durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no próximo dia 16, em Brasília – DF, às 16h, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

Resultados - Ainda no primeiro semestre, uma investigação realizada pela pesquisadora e presidente da ong Casa da Árvore, Leila Dias, revelou que a metodologia do projeto aumentou a leitura espontânea de livros literários entre crianças e adolescentes participantes do Laboratório Criativo de Literatura e Tecnologia (Lab Criativo). Nesta atividade, um grupo de estudantes da rede municipal participa de atividades de leitura e produção multimídia no contraturno escolar, dentro da Biblioteca Municipal.

“Assim que a primeira turma foi formada aplicamos um questionário, denominado Marco Zero, onde verificamos um pouco da relação destes alunos. Além de acompanhar todo o ciclo semestral desta turma, reaplicamos o mesmo questionário ao final do ciclo”, explica a pesquisadora. Antes de participarem do projeto, 31,25% não haviam lido literatura nos últimos 3 meses, 50% lembraram apenas de 1 obra e apenas 18,75% lembraram 2 ou mais livros lidos no mesmo período. Já ao final dos 3 meses de realização do Lab Criativo 37,5% dos alunos lembravam-se com facilidade de 2 a 4 livros lidos, 18,75% relataram a leitura de 5 obras e 30,80% dos participantes leram 6 ou mais livros literários. ‘Vale destacar que neste período apenas duas obras tiveram suas leituras estimuladas”, recorda Leila Dias.

A investigação conclui ainda que, quando associado com práticas de autoria, interação e compartilhamento por meio do uso criativo das novas tecnologias, o itinerário de aprendizagem proposto pelo projeto permitiu ainda que os alunos desenvolvessem melhor sua capacidade de fazer uma leitura crítica do mundo e ampliar sua participação social. O resultado completo desta pesquisa será apresentada em dezembro deste ano na Universidade do Minho – Portugal, durante a defesa da dissertação de mestrado da pesquisadora em Comunicação, Cidadania e Educação.

 

 

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